Por: Danielle Godoy
Em 2 de abril de 2024 o mundo celebrou o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, data que no Brasil faz parte da campanha Abril Azul. Com o lema “Valorize as capacidades e respeite os limites”, a mobilização convidou a sociedade a enxergar além das dificuldades e compreender que há uma pessoa autista para cada 36 neurotípicos, o que torna urgente repensar a inclusão.
Para a educadora Michele Fátima de Almeida Lafraia, a comemoração de 2024 reforçou que o corpo também é uma ferramenta de expressão. Formada em Educação Física em 2002 e em Pedagogia em 2023, ela investiu em cursos sobre Adequação no Autismo e Necessidades Educacionais Especiais para compreender melhor como atender esse público. Com experiência em escolas e na coordenação pedagógica, Michele defende que a atividade física deve fazer parte da rotina escolar de crianças com transtorno do espectro autista (TEA).
Segundo Michele, o movimento não é apenas um exercício. “Quando o corpo é estimulado com respeito, o aluno autista se sente seguro para explorar o mundo”, afirma a educadora. Ela explica que atividades como esportes coletivos, corrida, natação e artes marciais contribuem para o desenvolvimento motor e social e podem melhorar a comunicação e a sociabilização. Para garantir a adesão, as práticas devem considerar os interesses e as sensibilidades sensoriais de cada aluno, além de contar com o apoio da família em casa por meio de rotinas visuais e ambientes menos estimulantes.
A profissional lembra que estudos recentes apontam que mais de 83% das pessoas com TEA apresentam algum déficit motor e que, ao trabalhar essas habilidades, muitas crianças começam a interagir e a se alfabetizar. A atuação de Michele não se limita à sala de aula: ela colabora na formação de professores, defende políticas públicas de inclusão e incentiva a criação de espaços esportivos adaptados. Em sua visão, lutas e modalidades aquáticas são valiosas porque ajudam na consciência corporal, controlam a ansiedade e favorecem o contato físico de maneira estruturada.
“Nosso papel é mostrar que cada criança pode brilhar dentro e fora da quadra e, para isso, precisamos de programas esportivos inclusivos”, reflete Michele. Ela ressalta que o envolvimento de psicopedagogos, fisioterapeutas e educadores físicos em uma abordagem interdisciplinar potencializa os resultados e que a formação continuada dos profissionais é essencial para oferecer atividades seguras e motivadoras. Ainda há poucos locais preparados para receber alunos autistas, e ela luta para que mais escolas e centros esportivos abram portas a esse público.
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo de 2024 foi, para Michele Lafraia, um lembrete de que inclusão vai além de um dia no calendário. Ao unir esforços de famílias, professores e órgãos públicos, a atividade física pode transformar o Abril Azul em uma política permanente de respeito e oportunidades. Na visão da educadora, o esporte não deve ser exceção, mas um direito assegurado a todas as crianças autistas.

