Momento da avaliação durante a Batalha dos Barbeiros Brasil, realizada na Arena Carioca Fernando Torres, em Madureira, neste domingo (11).
Competição transforma o Parque de Madureira em vitrine para profissionais da barbearia e reforça movimento que nasceu nas periferias e conquistou espaço em todo o Brasil
Por Rayane Ribas
RIO DE JANEIRO — Máquinas ligadas, navalhas afiadas, torcida em volta dos competidores e olhos atentos da comissão julgadora. Neste domingo, 11 de dezembro, Madureira recebeu mais uma edição da Batalha dos Barbeiros Brasil, competição que ao longo dos últimos anos se consolidou como uma das principais vitrines da barbearia artística no país.
Realizada na Arena Carioca Fernando Torres, no Parque de Madureira, a programação ocorreu das 10h às 17h e foi apresentada pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e pela Secretaria Municipal de Cultura. Nesta edição, o evento apareceu com a proposta “Batalha dos Barbeiros + Social”, reunindo arte, técnica, oportunidade e transformação.

Muito além de decidir quem executa o melhor corte, a competição representa um movimento de valorização profissional que nasceu diretamente da cultura das periferias. A Batalha dos Barbeiros Brasil foi idealizada pela empreendedora cultural Érica Nunes, conhecida como Madrinha dos Barbeiros. A apresentação oficial do projeto registra sua criação em 2013, quando Érica percebeu a necessidade de abrir espaço e visibilidade para uma atividade que crescia nas comunidades, mas ainda recebia pouco reconhecimento no mercado tradicional.
Ao longo dos anos, a iniciativa passou a conectar competição, capacitação, empreendedorismo e cultura. A própria organização define a barbearia não apenas como técnica de corte, mas como parte de um estilo de vida urbano relacionado a outras expressões culturais surgidas nas periferias, como o rap, o samba e o passinho.
Esse caráter cultural ajudou a levar a Batalha para diferentes espaços e estados brasileiros. Já em 2016, reportagem do Correio Braziliense mostrava a expansão do movimento para além do Rio de Janeiro e destacava o papel da profissionalização de jovens como um dos pilares do projeto. À época, Érica Nunes afirmava que a Batalha havia se transformado em um movimento cultural e que a formação profissional criava novas perspectivas para jovens das comunidades.
Uma vitrine para o barbeiro brasileiro
A importância da Batalha também está na possibilidade de transformar profissionais que antes eram conhecidos apenas em seus bairros em nomes acompanhados por barbeiros de outras cidades e estados.
Em 2019, durante uma edição realizada na Hair Brasil, em São Paulo, 42 competidores participaram das disputas de Corte e Desenho. Érica Nunes afirmou naquela ocasião que mais de três mil pessoas haviam feito cadastro no estande e chamou atenção para a evolução técnica alcançada pelos brasileiros. Segundo ela, profissionais de outros países já procuravam o Brasil para aprender com barbeiros daqui.
Esse intercâmbio é uma das marcas da competição. Barbeiros chegam para disputar um cinturão, mas também observam técnicas, constroem redes profissionais, divulgam seus trabalhos e voltam para suas cidades levando novas referências.
Érica sintetizou esse propósito ao falar sobre outra edição do campeonato: “A Batalha é de grande valorização para a classe e união do setor”. Para a organizadora, apesar da disputa, o objetivo final é o crescimento coletivo da barbearia.
É justamente essa combinação entre competição e formação que tornou o projeto relevante para uma geração de profissionais. A Batalha oferece palco a um ofício que durante muito tempo se desenvolveu de maneira informal nas comunidades e ajuda a apresentar o barbeiro também como artista, empreendedor e profissional especializado.
Olhar experiente no julgamento
Entre os convidados para avaliar os trabalhos em Madureira estava Vinícius da Silva Gomes, anunciado oficialmente no material da edição como jurado convidado, barbeiro e empreendedor.
Com trajetória consolidada no setor, Vinícius chegou à competição como um dos profissionais de destaque da barbearia brasileira e com a responsabilidade de observar justamente aquilo que diferencia um bom trabalho de um corte de competição: domínio técnico, acabamento, criatividade, equilíbrio e atenção aos detalhes.
A escolha de profissionais experientes para a comissão julgadora dá peso técnico à Batalha. Em poucos minutos, os competidores precisam transformar cabelo e barba em trabalhos que serão examinados de perto, sob pressão de tempo e diante do público.
“É um prazer enorme fazer parte de uma Batalha como essa e poder estar do outro lado, avaliando tantos profissionais talentosos. O nível dos competidores é muito alto. A gente vê técnica, criatividade, dedicação e, principalmente, muita vontade de crescer dentro da profissão. Julgar trabalhos assim é uma responsabilidade, mas também é uma satisfação muito grande para quem vive e ama a barbearia”, Vinícius da Silva Gomes, jurado convidado
O registro fotográfico apresentado à reportagem mostra justamente o clima da avaliação: arena cheia, competidores e modelos próximos à área técnica e a comissão de julgamento acompanhando os trabalhos em meio ao público.

